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IA nesta disciplina

Você tem, de graça, um assistente que resolve em segundos qualquer exercício deste semestre. Fingir que ele não existe seria desonesto, e proibi-lo seria inútil. Esta página diz como usá-lo de um jeito que te deixa mais forte, e não mais dependente.

O problema não é o código que não roda

O código que não roda se denuncia sozinho: dá erro, você conserta, segue. O perigoso é o outro — o que roda, não reclama de nada e entrega o número errado.

Você encontra o primeiro exemplo na Lista 01:

nota1 = 6
nota2 = 8
nota3 = 10
media = nota1 + nota2 + nota3 / 3
print("Media:", media)

Isso imprime 17.333333333333332. Não dá erro. Não trava. Passa numa leitura rápida. E está errado — a divisão acontece antes da soma, então só a nota3 foi dividida.

Um assistente também escreve código assim. Ele erra menos que um iniciante, mas erra de um jeito mais difícil de pegar: o código parece bom, está bem formatado, tem nomes bonitos de variável. O programa não avisa. Quem tem que perceber é você.

Onde isso te custa caro

Nesta disciplina, um erro desses custa um ponto na lista. Na sua profissão, custa outra coisa: uma fatura errada, uma equipe deslocada para o lugar errado, um enlace mal dimensionado. Em telecomunicações, os programas que você vai escrever decidem coisas com dinheiro e com gente do outro lado.

O que a disciplina espera de você

As listas valem bônus e se corrigem sozinhas. Colar a resposta pronta nelas é possível, rápido e sem graça — e é trocar a única hora do semestre em que errar não custa nada por um décimo na média.

As avaliações cobram o que você sabe sem assistente:

  • a Avaliação 1 (semana 8) é manuscrita, sem computador;
  • a Avaliação 2 (semana 16) é no laboratório, com o site liberado para consulta, sem assistente de código;
  • os mini-testes são semanais e à mão.

No projeto final (semana 17) o assistente é permitido, e isso não é uma brecha: na apresentação cada integrante da dupla explica uma parte sorteada na hora. Código que você não consegue explicar vale zero, tenha sido escrito por quem for. É assim que funciona no trabalho também.

A conta chega. É melhor que ela chegue em setembro do que em dezembro.

Um protocolo que funciona

  1. Tente primeiro, sozinho, por dez minutos. O valor do exercício está inteiro aqui. Dez minutos travado ensinam mais que dez respostas prontas.
  2. Peça a explicação, não o código. "Por que meu programa imprime o último valor três vezes?" ensina. "Escreva o programa" não.
  3. Peça o caso que quebra. "Que entrada faz esta minha solução dar o resultado errado?" é o melhor uso que existe de um assistente — e treina exatamente o que a prova cobra.
  4. Nunca aceite sem rodar e sem entender. Se você não consegue explicar o código linha a linha, ele ainda não é seu.
  5. Desconfie de resultado redondo. Número que sai limpo demais costuma ser número que pulou uma conta.

Por que os cadernos vêm com a IA desligada

Os cadernos do Colab que esta disciplina distribui têm a assistência generativa desativada nas configurações do próprio caderno. Não é vigilância — nem funcionaria como vigilância, já que nada impede ninguém de abrir outra aba.

É outra coisa: nas primeiras semanas, o autocompletar escreve a linha antes de você ter tido a chance de pensar nela. Você lê, concorda, segue em frente — e sai da aula com a sensação de ter aprendido algo que na verdade só assistiu. Desligar o autocompletar devolve para você os dois segundos em que o aprendizado acontece.